Para melhor vivermos com as coisas menos boas que nos acontecem e que não dependem de nós, perdemos tempo a arranjar justificações que nos levem para lá do simples acontecimento. As coisas têm que acontecer por alguma razão, achamos nós… tem que haver uma qualquer razão que justifique caso contrário o acontecimento não passaria de um azar estúpido e para que isto tenha algum sentido não podem existir azares estúpidos. Arranjamos estas desculpas porque nos confortam e tornam tudo isto fica mais colorido… que estupidez, que parvoíce, somos uns parvos, as coisas acontecem porque acontecem e não porque haja um propósito… as coisas acontecem e pronto! Não há nada mais para além disso. Somos uns parvos, somos uns parvos românticos…
Hoje faz 4 semanas e tudo isto se transformou numa segunda oportunidade, mesmo que por obrigação, de viver com eles e está a revelar-se uma boa conclusão de um ciclo de quase sete anos complicados e difíceis. Depois disto nada mais haverá para dizer porque nada mais há que nos perturbe, somos melhores pessoas agora, elogiamos aquilo que consideramos qualidades e brincamos com os defeitos sem que isso tenho outro propósito senão esse mesmo, brincar! Ficámos mais próximos e daqui para a frente nada será como dantes! Acabo por achar que todos nós precisávamos disto ou mesmo que o mereciamos depois de tudo o que passámos...
Somos todos uns parvos, uns parvos românticos... eu não sou diferente dos outros e esta é a minha justificação para mais um acontecimento estúpido e que me faz apetecer ouvir música das nossas viagens quando era miuda!
Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender
A gente mal nasce, começa a morrer.
Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.
A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer .
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.
De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.
Andas sempre às turras com o mundo – disse ele e se calhar tem razão.
Foi o “sempre” que me incomodou e me deixou parada a pensar. Disse isto com um ar leve e carinhoso como um irmão que comenta as aventuras com desfechos menos bons da irmã mais nova. Se não fossem outras coisas ou outras sensações que nos passam à frente esta era bem capaz de ser uma boa relação entre nós. Mas há outras coisas e acabamos por ser uns estranhos que casualmente se encontram de noite e que juntos ficam até ao amanhecer… só até ao amanhecer porque, ao contrário dos que nos mostram os filmes, é ao amanhecer e não de noite que os medos voltam para nos assombrar e nessa altura fechamos a porta, de preferência a sete chaves não vá alguém entrar sem que nós queiramos.
Ao amanhecer ou mesmo já quando a manhã vai alta viramos costas um ao outro depois de um abraço onde nos despedimos até um próximo encontro casual.
E agora aqui estou eu, sem dormir, sem saber o que me apetece e sem vontade de nada a pensar que se calhar ando mesmo sempre às turras com o mundo e que no fundo não era essa a minha intenção...